A Ordem em Portugal

O primeiro Mosteiro da nossa Ordem em Portugal continental, foi o da Conceição, na Cidade de Braga, porém já existiam dois na região do arquipélago dos Açores, nomeadamente o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo (1608) e o Mosteiro de Nossa Senhora da Glória, na Horta (1616). A construção do primeiro mosteiro continental começou em 1625 e foi inaugurado em 1629. Foi muito próspero e fervoroso, mas começou a passar por muitas dificuldades, económicas e políticas, até que com a expulsão das Ordens religiosas em 1833-34 levou o último golpe…, a comunidade foi proibida de receber novas vocações, e assim foi-se extinguindo a pouco e pouco, até à morte da última monja, a Madre Maria Adelaide do Sacramento, em 1886. Foi neste Mosteiro que viveu a Venerável Madre Custódia Maria do Sacramento (1706-1739). Agora o Mosteiro pertence a uma casa de regeneração (Instituto Monsenhor Airosa) para jovens em risco.

Para além destes Mosteiros já mencionados, existiram mais nove em Portugal. No total teriam sido 12 Mosteiros:

Recolhimento de S. Dâmaso ou Convento de Porta Coeli, Pontével - Cartaxo (1632-1758)
Convento de Nossa Senhora da Penha de França, Braga (1652)
Convento de Nossa Senhora da Conceição, Ponta Delgada (1666)
Recolhimento de S. Bernardino, Aveiro (1680)
Convento de Nossa Senhora dos Anjos, Chaves (1685-1892)
Convento de Nossa Senhora da Conceição, Loulé (1688)
Convento de Nossa Senhora da Conceição, Carnide – Lisboa (1694)
Convento de Nossa Senhora da Conceição, Arrifana do Sousa – Penafiel (1716)
Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios, Lisboa (1769-1890)

Houve, também um Mosteiro em Guimarães que não se sabe ao certo se pertenceu ou não à Ordem da Imaculada Conceição.

 

 

Restauração da Ordem da Imaculada Conceição em Portugal

• Campo Maior

Passado o tão conturbado período da expulsão das Ordens religiosas, a nossa Ordem regressa a Portugal. O então, Arcebispo de Évora, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, grande devoto de Santa Beatriz, procurava para a sua arquidiocese Monjas Contemplativas, e como havia em Campo Maior um Convento Franciscano em ruínas, adquiriu-o e pediu a colaboração à Comunidade de Villa Franca del Bierzo, Espanha. A Comunidade era numerosa, e logo se entusiasmaram com a ideia de ir precisamente para Campo Maior, terra da nossa Madre Santa Beatriz. Foi assim que cinco Irmãs chegaram a Campo Maior no dia 10 de Junho de 1942.

 

• Viseu

Com o tempo começaram a entrar jovens em Campo Maior, e começou a florescer entre as Irmãs o desejo de fundar mais um Mosteiro em Portugal. A Madre propôs a duas Irmãs que fossem às Dioceses do Centro do País, com o fim de darem a conhecer a nossa Ordem e de assim poderem entrar mais vocações. As Irmãs aceitaram a proposta, com grande alegria. Quando chegaram a Mangualde, decidiram passar pelo Centro Paroquial, onde havia uma pastelaria. A Senhora encarregada da pastelaria soube que as Irmãs iam em direcção a Viseu, e pediu-lhes para levarem uns bolinhos ao Sr. Bispo. Aqui tudo começou... por causa de uns bolinhos....

Chegadas a Viseu foram à Casa Episcopal entregar os ditos bolinhos. Foram recebidas pelo Sr. Vigário Episcopal, Con. Luíz Gonzaga Leite Barreiros. E como o senhor. Bispo, D. José Pedro da Silva estava ocupado orientou as Monjas para a casa de retiros. Quando o Senhor Bispo soube que as Irmãs desejavam fazer uma fundação, mostrou-se muito satisfeito, pois à muito desejava uma Comunidade Contemplativa na sua Diocese. Logo no dia seguinte foram ao Tourigo, então freguesia de Barreiro de Besteiros, Tondela, onde a Diocese dispunha de uma casa, e ficou praticamente assente que ali se instalaria a Comunidade de Concepcionistas. Era o dia 6 de Novembro de 1969.

As religiosas regressam a Campo Maior, radiantes com a perspectiva de concretizarem o seu objectivo. A 22 de Fevereiro de 1970 D. José Pedro vai pessoalmente a Campo Maior fazer o pedido oficial da vinda das Concepcionistas para a Diocese, a 19 de Março de 1970 vem a Abadessa e a Vigária para ver a casa do Tourigo e, a 31 de Maio de 1970, naquela remota aldeia do Tourigo, entraram solene e oficialmente na Diocese, dia em que o Prelado festejava o 5.º aniversário da sua entrada na Diocese de Viseu.

Tourigo foi a primeira de quatro casas, por onde passaram as Irmãs.
Pois passados quatro anos e meio as Monjas saíram do Tourigo, pois a casa que habitavam não oferecia o mínimo de condições, há muito estava desabitada e carecia de obras avultadas que não estavam ao alcance da Diocese, do povo ou da Comunidade realizar; era grande o isolamento, sem meios de transporte adequados, o que impedia a livre recepção e contratação de trabalhos necessários à sua subsistência, e era insuficiente a assistência religiosa.

Transferiram-se então para o lugar da Ladeira, junto a Campo de Besteiros, com melhores instalações, melhores meios de comunicação e transportes, mas ainda sem a adequada assistência religiosa, que os Párocos da zona não podiam prestar satisfatoriamente. A situação era insustentável e a solução passava pela fixação da Comunidade em Viseu. Por outro lado era necessário pensar em instalações tendo em vista não apenas uma pequena comunidade de quatro ou cinco religiosas, mas um convento em conformidade com o estilo de vida monástica próprio de uma Ordem Contemplativa, dotado de autonomia para assegurar o noviciado dos seus futuros membros, e trabalho para o sustento da Comunidade.

Persistência, paciência e oração foram os ingredientes de que lançaram mão para encontrar uma casa no Largo da Prebenda, a pouca distância da Catedral, em local recolhido. Efectuadas as sempre necessárias obras de remodelação, e eis o que já se pode chamar um convento de vida contemplativa, para onde se transferiram a 31 de Maio de 1979. Dispondo agora de clausura, trabalho estável e assistência religiosa, a Comunidade, cuja erecção canónica ocorrera a 11 de Janeiro desse mesmo ano, vê, finalmente, consolidada a sua plena autonomia.
No entanto, o surgimento de vocações à vida contemplativa e a admissão de novas candidatas fez com que a casa da Prebenda, se tornasse pequena. Era pois necessário encontrar outra solução, e essa passaria pela construção de raiz de um convento projectado segundo as exigências da vida contemplativa, o que se afigurava fora das capacidades meramente humanas de uma pequena comunidade de religiosas que, quanto a meios económicos, apenas dispunham do fruto do seu trabalho, com o que proviam ao seu sustento.

Mas o que ao homem parece impossível não o é a Deus. A Providência se encarregou de lhe disponibilizar um terreno apropriado à construção do convento de que necessitavam: uma senhora piedosa havia manifestado vontade de lhes oferecer um terreno na Quinta do Viso, a três quilómetros de Viseu, porém em zona a urbanizar. Estava vencida a primeira etapa, seguir-se-iam as demais.

As obras de construção iniciaram-se no ano de 1983 e, cinco anos depois, a 24 de Setembro de 1988, foram solenemente inauguradas com a bênção da Igreja e Convento, dedicados, como nem poderia deixar de ser, a Santa Beatriz da Silva, que havia sido canonizada a 3 de Outubro de 1976 pelo Papa Paulo VI. Após dezoito anos de travessia do deserto, a viver em "tendas" que sucessivamente iam montando e desmontando, a Comunidade chega finalmente à “Terra Prometida” onde lhe é concedido viver plenamente a vida contemplativa.

 

• Estoril

Depois de vinte e oito anos de presença contemplativa no novo Mosteiro, e incentivadas pela celebração do quinto Centenário da nossa Regra, floresceu novamente a ideia de fundar um novo Mosteiro em terras de Santa Maria. Tivemos conhecimento da supressão do Carmelo do Estoril, e recebemos uma comunicação do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, expressando o desejo de que ali continuasse a vida contemplativa e convidando-nos para o efeito.

A comunidade aceitou o dito convite e depois de muitas peripécias abriu a casa a 30 de Abril de 2013.

 

Mosteiro da Conceição de Braga

Mosteiro de Viseu em construção

A Comunidade do Mosteiro de Viseu, durante a sua construção

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